Diageo lança selo para combater falsificação no país

Para garantir inviolabilidade, empresa usou tecnologia igual à das películas de segurança do passaporte brasileiro e das notas de R$ 100

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Executiva disse que objetivo é trazer mais segurança ao consumidor e evitar crises como a do metanol no Brasil (Foto: Divulgação/Diageo)

A Diageo criou um selo no Brasil com uma tecnologia de verificação de procedência que pode ser validada pelo smartphone dos usuários. O mecanismo, batizado de Selo Drink Seguro, começou a ser inserido nos rótulos das bebidas em fevereiro. Agora, com uma ampla presença nos pontos de venda, o grupo vai começar o trabalho de divulgação ao público consumidor e donos de bares.

Ao Valor, Paula Lindenberg, presidente da Diageo no Brasil, disse que a tecnologia foi uma ideia da empresa para trazer mais segurança ao consumidor e evitar que crises como a do metanol voltem a acontecer no país. Os casos de contaminação começaram em meados de setembro do ano passado e tiveram forte impacto na indústria de destilados.

“Esse selo drink seguro é uma tecnologia antifraude. Ele é uma iniciativa pioneira e voluntária da Diageo. É uma tecnologia bastante robusta e eficaz contra cópias. Apesar de muito robusta, a experiência que estamos trazendo é simples. A ideia é que o consumidor ou dono do bar, antes de comprar, possa verificar a integridade do produto em poucos segundos”, disse Lindenberg.

O selo vai ter a certificação internacional ISO 12931. Para garantir essa inviolabilidade, a empresa usou uma tecnologia igual à das películas de segurança do passaporte brasileiro, dos elementos holográficos da nota de R$ 100 e das cédulas de euro. Na prática, cada selo carrega uma “impressão digital” única com mais de 27 trilhões de combinações.

Para realizar a verificação, não é necessário baixar nenhum aplicativo: basta apontar a câmera do smartphone para o selo, que direciona automaticamente o consumidor para a plataforma oficial Diageo.ID (www.diageo.id). Nela, a identificação é analisada por uma inteligência artificial, que valida se a garrafa é autêntica. Caso o produto não seja identificado, um formulário é apresentado para que seja preenchido com informações sobre a garrafa.

A novidade já faz parte da fabricação de produtos como Smirnoff, Johnnie Walker, Tanqueray, Old Parr e Cîroc.

Em outubro do ano passado, as vendas de destilados no Estado de São Paulo, epicentro da crise provocada pela contaminação de bebidas com metanol, apresentaram queda de 21% no intervalo entre 1 e 4 de outubro na comparação com igual período de 2024. Os dados foram divulgados numa pesquisa na época pela Neogrid.

Segundo a executiva, o projeto foi pensado pelo time do Brasil e para o mercado brasileiro, mas um resultado favorável pode levá-lo a ser exportado para outros mercados.

Segundo dados da Euromonitor, o mercado de bebidas falsificadas representa cerca de 4,7% dos volumes de destilados comercializados no Brasil.

Outro levantamento conduzido pela mesma consultoria para a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) estima que, a cada cinco garrafas de uísque ou de vodca no Brasil, uma seja potencialmente parte do mercado ilegal - que abraça também a sonegação fiscal.

“O produto falsificado é o percentual menor, mas ele é o percentual que mais preocupa pelo risco sanitário”, disse a executiva.

É justamente o mercado ilegal que colabora para que a cadeia fique mais vulnerável. Ao tentar burlar o fisco, bares acabam comprando produtos de fornecedores com os quais a validação de veracidade da bebida não é possível de ser feita.

Segundo Lindenberg, o selo vai possibilitar que o próprio dono do bar também consiga aferir a veracidade da bebida. A executiva contou que o objetivo do selo não é combater a sonegação, mas que a tecnologia deve ajudar no entendimento do mercado no futuro, uma vez que vai ser possível ver onde a bebida foi produzida e comparar onde de fato ela foi vendida.

Segundo a executiva, o passo visa a proteger as marcas do grupo no Brasil, um mercado que tem ganhado relevância no portfólio global da gigante de bebidas.

A região do Caribe e América Latina encerrou o ano fiscal de 2026 com crescimento orgânico de vendas de 7,7%, tendo o Brasil como principal vetor desse desempenho e entre os mercados de maior crescimento.

No início da crise do metanol, congressistas chegaram a defender a necessidade de se criar um selo como forma de garantir a veracidade dos produtos.

A indústria, entretanto, sempre se mostrou contrária a essa ideia, uma vez que selos podem ser violados. Além disso, o setor teme um aumento de custos por causa da prática.

A Diageo não abre quanto investiu para a criação do selo, mas a executiva apontou se tratar de um valor considerável, sobretudo ao se somar o investimento em marketing para a divulgação do material.

Questionada se o selo não iria, no fim das contas, na contramão do que foi posto pela própria indústria, a executiva disse que a Diageo defende a liberdade concorrencial.

“Não defendemos uma solução única. Cada empresa tem suas condições e seu portfólio e elas têm de ter condições de decidir o que faz mais sentido para a sua companhia”, disse.

Reportagem publicada no Valor Econômico.

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