Clique Retire se une à MOCS e entra em eventos

Startup administra “armários inteligentes” usados para entrega de produtos comprados on-line

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"Além de ser empresa de armários inteligentes, a gente se transformou também em operador logístico”, disse Artuzo. (Foto: Fernanda Vidotti/Clique Retire)

A Clique Retire, startup que administra “armários inteligentes” para varejistas, vai fundir suas operações com o Grupo MOCS, responsável pela operação de guarda-volumes nos maiores eventos do país. Com recurso no bolso após concluir uma rodada de investimentos de R$ 32 milhões no ano passado e preparando uma nova rodada a ser lançada ainda neste ano, a Clique Retire prevê saltar de 400 pontos de atendimento hoje para 1,9 mil até dezembro.

Gustavo Artuzo, diretor executivo da Clique Retire, afirmou que a empresa conseguiu crescer na pandemia. O plano inicial era seguir os passos da polonesa InPost e se concentrar no comércio eletrônico via armários em áreas como estações de metrô e shoppings. O caos sanitário, entretanto, abriu novas oportunidades de negócio no formato “white label” para varejistas que investiram nas vendas on-line e instalaram armários de retirada de encomendas em suas lojas.

“Clientes que não imaginávamos que podiam trabalhar com a gente nos procuraram. Quando começamos, percebemos que o mercado era maior do que imaginávamos. O Brasil tinha outras restrições. Além de ser empresa de armários inteligentes, a gente se transformou também em operador logístico”, disse Artuzo.

Uma das oportunidades que bateu à porta foi o negócio com o Grupo MOCS. A empresa foi criada em 2015 e se especializou na montagem de guarda-volumes para eventos de grande porte - segmento gravemente prejudicado pela pandemia.

“Percebemos que a logística pelos armários analógicos era complexa e não fazia sentido”, contou Alvaro Bruno, fundador e CEO do Grupo MOCS, que passa a ser sócio da Clique Retire.

Ele destacou uma tentativa de automatizar a operação em 2019, mas sem sucesso. Então, na pandemia o grupo começou as conversar com a Clique Retire e as duas empresas chegaram a fazer eventos em parceria. A proximidade ressaltou a sinergia entre os negócios e fez avançar a proposta de fusão, contaram os executivos.

Atualmente, o e-commerce responde por 40% do negócio da Clique Retire, enquanto o restante engloba negócios como “white label”, caixa postal e atendimento em condomínios. A chegada do negócio de eventos tende a trazer uma janela de receita até então não explorada.

Sozinha, a MOCS fazia uma média de 30 eventos por ano. Para 2020 a estimativa é alcançar 250 eventos apenas no São Paulo Expo, decorrentes de uma parceria com a multinacional francesa GL Events a ser finalizada em breve.

A parceria com a GL abre portas para eventos também no Anhembi, Centro de Convenções Salvador e Riocentro. Um dos eventos já no calendário do grupo é a edição deste ano é o Rock in Rio, que deve movimentar 700 mil pessoas.

Diferentemente da MOCS, a pandemia foi um propulsor de crescimento para a Clique Retire, uma vez que o caos sanitário incentivou soluções de autoatendimento. Segundo dados da empresa de medição e análise de dados Ebit|Nielsen, só no primeiro semestre de 2020 o segmento de compras on-line ganhou 7,3 milhões de novos consumidores.

A Clique Retire conseguiu levantar R$ 32 milhões em junho do ano passado por meio de uma rodada de captação liderada pela São Carlos Empreendimentos e Participações. “Estamos preparando uma nova captação, que deve sair no final deste ano”, disse Artuzo.

Com dinheiro no bolso, a empresa planeja ampliar os atuais pontos de atendimento de 400 para 1,9 mil até o fim do ano no país - isso sem contar os armários via modelo white lable com as varejistas e os direcionados aos eventos.

Reportagem publicada originalmente no Valor Econômico.

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